A traça-do-tomateiro, Tuta absoluta (Meyrick) (Lepidoptera: Gelechiidae) é um microlepidoptero, nativo da América do Sul, principalmente do centro de origem do tomateiro, que compreende o estreito território limitado pelo Equador, cordilheira dos Andes, norte do Chile e litoral do Oceano Pacífico. Nos dias atuais, Tuta absoluta é mundialmente a principal praga do tomateiro, sendo considerada uma ameaça à tomaticultura global. Desde seu aparecimento na Espanha, ela tem ocasionado perdas significativas para a cultura, em diferentes áreas da Europa, Norte da África, mediterrâneo e mais recentemente na Índia. No continente americano ela está presente nos principais países produtores de tomate da América do Sul, Central e Norte, sendo que nesta última região (México) até 2013 ela foi considerada uma praga quarentenária.

Nas regiões ou países que essa praga foi introduzida ocorreram impactos econômicos e sociais, alterando totalmente o manejo integrado de pragas na cultura do tomate.

Nas regiões que essa praga é problema, quando não se aplicam medidas de controle, as perdas podem atingir 100%. Esse é o caso do Brasil, onde sua ocorrência é registrada em todo o território, sempre em alta infestação, geralmente ocorrendo durante todo o ciclo da cultura. No Brasil, devido ao elevado número de aplicações de inseticidas ela aparentemente adquire um status de praga de caráter regional, principalmente para as regiões centro-norte da Bahia (Irecê) e Agreste Pernambucano (Pesqueira).

No entanto, a presença dessa praga em todos as regiões ainda é frequente e o seu controle deve ser preconizado juntamente com outros lepidópteros, pragas da parte aérea. Caso contrário, ela estará presente na cultura causando prejuízos. Em grande parte, esse fato se deve a fatores bioecológicos da praga, como elevado potencial biótico e ao hábito das lagartas ficarem “escondidas” em minas ou galerias nas folhas, hastes e frutos, o que impede seu controle de forma eficiente. Outro fator importante e a polifagia desse inseto, capaz de atacar outras plantas hospedeiras, da família das solanáceas.

Biologia e Comportamento desta Praga

Os adultos são pequenas mariposas de coloração cinza-prateado com cerca de 10 mm de envergadura e 6 mm de comprimento por 1 mm de largura. Os adultos possuem hábito noturno e durante o dia permanecem em repouso na folhagem do tomateiro. Podem ser vistos ao amanhecer e ao entardecer, quando voam, acasalam e fazem a postura. A longevidade de fêmeas e machos é de 11,5 e 9,7 dias, respectivamente. Cada fêmea coloca em média 50 ovos, podendo colocar até 250 ovos durante toda sua vida.

Os ovos são colocados individualizados depositados nas folhas, hastes, flores e frutos, principalmente no terço superior da planta, embora se observe posteriormente um maior número de minas pequenas no terço médio da planta. Possuem formato elíptico de superfície reticulada e inicialmente são de coloração branca-brilhante ou amarelo-clara brilhante, passando a ter coloração marrom-escuro próximo a eclosão das lagartas. Apresentam um período embrionário de 3 a 5 dias.

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As lagartas têm coloração branca, ao emergirem dos ovos e a medida que consomem tecido vegetal e crescem tornam-se verde-arroxeadas, atingindo cerca de 6-9 mm de comprimento. Diferenciam-se de outras lagartas de lepidópteros que atacam a parte aérea, primeiramente por alimentaram-se do parênquima foliar e em consequência ocasionarem minas transparentes nas folhas e caules, embora também formem galerias nos frutos, e por apresentarem uma placa protoráxica preta em forma de “meia lua”. A fase larval apresenta quatro instares, com duração entre nove a treze dias. Próximo ao atingir a fase de pupa tecem um casulo esbranquiçado.

A pupa é verde, passando depois para a coloração marrom e tem duração de 6 a 10 dias. Podem ser encontradas nas próprias galerias abertas pelas lagartas, folhas secas ou no solo, sendo que em tomate rasteiro é mais comum o inseto pupar no solo (Villas Bôas et al. 2009). O ciclo completo de Tuta absoluta dura entre 30 a 40 dias.

Ecologia

Ocorre durante todo o ciclo da cultura, o ano todo e em todos os Estados produtores do país, sendo o período crítico a fase de formação dos frutos. Períodos quentes e secos favorecem sua ocorrência, verificando menor população em períodos chuvosos (Souza).

Danos

As lagartas formam galerias (minas) transparentes nas folhas e se alimentam no interior destas. Atacam também as hastes / caule formando minas e os frutos formando galerias. Sua presença e percebida nesses locais devido a presença de fezes escuras. Em ataques severos destroem totalmente as folhas, ocasionando o secamento dos folíolos e consequente morte da planta. Os frutos ficam impróprios para comercialização, além de facilitarem a contaminação por patógenos (fungos e bactérias).

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Ecologia

Ocorre durante todo o ciclo da cultura, o ano todo e em todos os Estados produtores do país, sendo o período crítico a fase de formação dos frutos. Períodos quentes e secos favorecem sua ocorrência, verificando menor população em períodos chuvosos (Souza).

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Danos

As lagartas formam galerias (minas) transparentes nas folhas e se alimentam no interior destas. Atacam também as hastes / caule formando minas e os frutos formando galerias. Sua presença e percebida nesses locais devido a presença de fezes escuras. Em ataques severos destroem totalmente as folhas, ocasionando o secamento dos folíolos e consequente morte da planta. Os frutos ficam impróprios para comercialização, além de facilitarem a contaminação por patógenos (fungos e bactérias).

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Manejo Integrado

O Manejo da traça-do-tomateiro, juntamente com outras pragas que atacam a cultura deve ser feita de forma integrada, adotando o monitoramento de pragas e uso de diferentes estratégias de controle (cultural, biológico e químico). Estratégias de controle da traça-do-tomateiro utilizando somente o controle químico tem gerado preocupação, por técnicos e pesquisadores do setor devido ao desenvolvimento de resistência aos poucos grupos químicos e modo de ação distintos de inseticidas utilizados para o controle dessa praga.

Estudos recentes mostram problemas de desenvolvimento de resistência aos grupos mais recentes de inseticidas utilizados no controle dessa praga como espinosinas, oxidiazinas e diamidas.            Entre as estratégias que devem ser adotadas juntamente com o controle químico e proporcionam uma melhora na eficiência de controle desse inseto na lavoura estão o controle cultural e o controle biológico.

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Tuta absoluta

Traça-do-tomateiro

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Monitoramento da praga: Primeiro passo para implantação do MIP

O monitoramento de pragas é ferramenta indispensável no manejo integrado de pragas. O uso dessa ferramenta permite determinar o exato momento de ocorrência da praga na cultura e a intensidade de infestação. Informações essas que permitem direcionar para a escolha da estratégia adequada de controle da praga num determinado momento. No caso de Tuta absoluta, a melhor ferramenta de controle é o uso de armadilhas adesivas de feromônio, capazes de detectar as infestações iniciais de adultos na lavoura, o que permitirá o uso de estratégias de controle biológico com o parasitoide de ovos Trichogramma pretiosum e aplicação de Bacillus thuringiensis para o controle de lagartas recém emergidas dos ovos.

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Controle cultural

O controle cultural preconiza adotar uma série de medidas que evitem ou reduzam o aparecimento da praga na lavoura. Entre estas medidas, deve-se evitar os plantios sucessivos da cultura na mesma área/região ou de forma escalonada nos pivôs centrais. Plantios tardios tendem a apresentar maior pressão de pragas decorrentes da migração de adultos das áreas vizinhas.

O ideal seria que os plantios de tomate em uma microrregião fossem escalonados e não ultrapassassem 60 dias (Instrução Normativa no 05, de 13/11/2007-GO).

Ainda dentro dessa estratégia é fundamental a destruição dos restos culturais imediatamente após a colheita para interromper o ciclo da praga. A manutenção de restos culturais no campo permite que lagartas e pupas se desenvolvam e originem novos adultos que irão se dispersar para outras áreas cultivadas com tomate, aumentando a pressão da praga nas áreas vizinhas. Plantas alternativas hospedeiras do inseto, como solanáceas silvestres, joá-bravo e maria pretinha devem ser eliminadas antes e após o estabelecimento da cultura.

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Controle biológico

Desde a introdução da traça-do-tomateiro no Brasil, muito esforço tem sido feito no sentido de estabelecer o seu controle biológico. Surtos dessa praga em diferentes regiões do Brasil na década de 1990, associado ao desenvolvimento de pesquisas nesse mesmo período permitiram uma sólida experiência em controle biológico aplicado adotando o uso de parasitoides e controle microbiano dessa praga. A tática de controle biológico utilizando liberações massais do parasitoide de ovos Trichogramma pretiosum Riley, associado a aplicação de biopesticidas a base de Bacillus thuringiensis para o controle de lagartas neonatas recém eclodidas tem apresentado resultados similares ou superiores ao uso de inseticidas químicos, com reduções nos níveis de ataque em frutos de até 1%.

Atualmente o grande entrave no uso do controle biológico é a desmitificação da eficiência por parte dos produtores, o que envolve a divulgação de resultados e suporte técnico para exata utilização do produto.

As estratégias de controle biológico devem estar associadas a outras estratégias como o controle cultural, uso de inseticidas seletivos em determinadas épocas e monitoramento da praga para determinar a época de liberação do parasitoide ou aplicação do biopesticida. Estratégias essas que deveriam ser utilizados em conjunto em qualquer situação para garantir a eficiência de todos os produtos utilizados no manejo de pragas da cultura, reduzir os impactos ambientais negativos causados pelos agrotóxicos e reduzir os custos de controle.

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Controle químico

O controle químico ainda é a técnica mais utilizada para o controle da traça-do-tomateiro. A rápida ação dos inseticidas químicos em reduzir a infestação da praga, sem a obrigatoriedade em utilizar o monitoramento da praga para garantir a eficiência de controle tornam essa estratégia atrativa aos produtores, em um primeiro momento. Porém perigosa em diferentes aspectos de saúde pública, contaminação ambiental, aumentos de custo de insumos e falhas de controle devido desequilíbrios biológicos, ressurgência de pragas e evolução da resistência. No controle químico a rotação de produtos de grupos químicos e modo de ação distintos deve ser adotado para evitar a evolução da resistência.

Outras estratégias de controle como o cultural e biológico que permitem uma menor pressão de seleção da praga com inseticidas também fazem parte das estratégias de manejo de resistência de pragas a pesticidas.

Nos programas de manejo de resistência por rotação, os inseticidas utilizados para o controle de outras pragas na cultura também devem ser considerados. Informações do grupo químico/ingrediente ativo são facilmente encontradas na bula de todos os inseticidas químicos/biológicos e devem ser utilizadas para a escolha do inseticida a ser rotacionado independente da marca comercial. Demais informações como modo de ação e resistência cruzada com outros grupos de inseticidas devem ser consultadas em revistas especificas ou com o auxílio de um engenheiro agrônomo.

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Ingrediente ativo, grupo químico, e modo de ação dos principais inseticidas utilizados no controle de Tuta absoluta na cultura do tomate.

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